Adoçantes artificiais podem aumentar o apetite e desregular o metabolismo

PUBLICADO EM 10/10/17

Estudo mostra que consumo crônico dessas substâncias promovem hiperatividade, insônia, intolerância à glicose e, principalmente, o aumento das calorias ingeridas.

Os adoçantes artificiais podem ativar vias metabólicas da fome e a sua genética também pode contribuir para isso. Eles são consumidos por bilhões de pessoas em todos o mundo e cada vez mais adicionados em uma ampla quantidade de suplementos e alimentos industrializados. Diversos estudos sinalizam uma ligação entre o consumo dessas substâncias e a desregulação metabólica, mas os mecanismos pelos quais isso ocorria ainda permaneciam desconhecidos. Essa semana foi divulgado na revista "Cell Metabolism" um estudo em que foi investigado de maneira mais profunda os efeitos do desequilíbrio metabólico provocado pelo uso de adoçantes artificiais a longo prazo.

Em alguns modelos, o consumo crônico dessas substâncias promoveram hiperatividade, insônia, intolerância à glicose e principalmente, aumento das calorias ingeridas. Todos efeitos foram revertidos após a remoção do uso. Esse mecanismo foi mapeado e indicou que sistemas relacionados à insulina, a catecolaminas, NPF/NPY (sistema neuromodulador da fome) e o sensor energético AMPK (enzima chave da regulação energética celular), estão envolvidos em uma resposta neuronal relacionada ao jejum e sinalização de fome.

De maneira simplificada, a ingestão de adoçantes artificiais ativa uma rede neuronal sinalizando que há uma situação de privação alimentar, o que promove uma maior ingestão calórica podendo até mesmo levar ao aumento de peso. É como se o organismo mimetizasse um jejum e aumentasse a motivação por comida.

Hoje já se sabe também que existem algumas variantes genéticas relacionadas a um consumo calórico aumentado. É o caso do gene TAS1R3. Esse gene é um dos responsáveis pela sensibilidade ao gosto doce. Algumas pessoas possuem uma variante genética que faz com que sintam menos o gosto doce e acabam consumindo em maior quantidade. Estudos indicam que no caso desses indivíduos os adoçantes artificiais acabam prejudicando ainda mais essa falta de sensibilidade ao doce, aumentando ainda mais as chances de ganho de peso.

Esse estudo consolida mais um motivo para aumentar o cuidado com suplementações e alimentos muito industrializados. Muitas vezes esses alimentos possuem essas substâncias artificiais e podem, em vez de auxiliar, prejudicar o metabolismo e a manutenção adequada do peso.

Fonte: Eu Atleta